segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

David Miranda: A fé que move o tráfico

Denúncia liga Igreja Deus é Amor aos traficantes 'Beira-Mar' e 'Marcinho VP'
SÃO PAULO - Um ex-funcionário denunciou ontem que a Igreja Pentecostal Deus é Amor, com sede em São Paulo, está envolvida em esquema de lavagem de dinheiro do narcotráfico. Em entrevista à TV Bandeirantes, ele disse que os líderes da igreja têm ligações com os traficantes Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP, e José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha. Segundo o ex-funcionário, que trabalhou 18 anos para a igreja e está sob os cuidados do Serviço de Proteção à Testemunha do Ministério da Justiça, nos últimos cinco anos a Deus é Amor enviou ilegalmente 40 milhões de dólares ao exterior. O lucro vem das doações de fiéis e da lavagem de dinheiro do tráfico. Ele disse ainda que os responsáveis pela igreja ficam com 40% do dinheiro. Os traficantes recebem o restante em forma de bens e imóveis. Pastores usam agência de viagens para levar dinheiro O dinheiro é levado para o exterior todos os meses por cerca de 40 pastores, através da agência Andy Viagens Turismo Ltda, de propriedade da Igreja Pentecostal Deus é Amor e com sede num dos templos do bairro da Liberdade, em São Paulo. "Só no ano passado, a Andy recebeu R$ 114.712 dos lideres da igreja", denunciou. O deputado estadual Renato Simões convocou a testemunha a prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembléia Legislativa de São Paulo que apura a ligações do narcotráfico no estado. O ex-funcionário contou também que cada filial da igreja espalhada pelo País manda em média R$ 100 mil por mês à sede. Em dezembro do ano passado, a filial de Belo Horizonte enviou R$ 200mil; Porto Alegre, R$ 150 mil; e Bahia, R$ 60 mil. Outras 11 sedes de capitais menores teriam enviado R$ 1 milhão, ao todo. "Cada fiel paga R$ 10 para participar de um culto", disse. O fundador e líder da igreja, David Martins Miranda, acusado de acumular uma fortuna milionária em paraísos fiscais, negou qualquer ligação como o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Através de seu advogado Rubem Dario Leme Cavalhero, David Miranda declarou que prefere manter a sua privacidade. e que os atos da igreja são feitos com base na Constituição, que isenta os templos de pagamento de impostos. O advogado disse ainda que toda a movimentação financeira da igreja é coordenada pelo seu departamento de contabilidade.

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